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Síndrome de Apolo: por que reunir os melhores especialistas não garante a melhor equipe

  • Foto do escritor: Herculano Ferreira
    Herculano Ferreira
  • 9 de out. de 2024
  • 2 min de leitura

Atualizado: há 1 dia

Especialistas fortes não formam automaticamente uma equipe forte

Em trabalhos de desenvolvimento, é natural buscar pessoas tecnicamente fortes. O problema aparece quando se pressupõe que a soma das melhores competências individuais produzirá, sozinha, a melhor resposta coletiva.

Meredith Belbin descreveu como “Apollo teams” equipes formadas por participantes de alta capacidade intelectual que, em alguns experimentos, apresentaram desempenho coletivo abaixo do esperado. O ponto mais útil dessa observação não é criar uma regra universal, mas lembrar que inteligência, especialização e experiência não substituem integração, clareza de papéis e capacidade de decisão.

Onde equipes muito qualificadas podem travar

Quanto maior a especialização, maior pode ser a tendência de cada pessoa enxergar o problema pela própria lente. Discussões passam a competir por qual perspectiva está “mais certa”, enquanto a pergunta principal — o que precisa ser resolvido — perde espaço.

Outros sinais são conhecidos: debates longos sem fechamento, decisões adiadas, áreas trabalhando em paralelo, pouca disposição para incorporar contribuições externas e dificuldade para transformar conhecimento em ação coordenada.

Desenvolvimento precisa de competências complementares

Em projetos de produto e processo, diferentes contribuições precisam coexistir: conhecimento técnico, visão de aplicação, capacidade de investigar, organização, execução, avaliação crítica, acabamento e conexão com mercado. A composição exata muda conforme o desafio.

O modelo de papéis de equipe de Belbin é uma referência para pensar complementaridade, não uma receita rígida. Da mesma forma, referências de desenvolvimento de produtos, como o trabalho de Mike Baxter, ajudam a lembrar que boas decisões dependem tanto da qualidade das ideias quanto da forma como o trabalho é estruturado.

Quatro cuidados práticos

Primeiro, tornar explícito o problema e os critérios de decisão. Segundo, separar crítica à hipótese de crítica à pessoa. Terceiro, definir quem contribui, quem decide e quem executa. Quarto, criar momentos em que evidências possam alterar a direção sem transformar a mudança em disputa de autoridade.

O melhor especialista pode estar fora da empresa

Dependendo do desafio, fornecedores, fabricantes, laboratórios, especialistas e equipes do próprio cliente podem precisar participar da construção da resposta. O objetivo não é concentrar todo o conhecimento no mesmo lugar, mas organizar competências suficientes para entender, testar e decidir.

Conhecimento individual cria possibilidades. Colaboração estruturada aumenta a chance de transformá-las em aplicação.

Referências

Meredith Belbin, Management Teams: Why They Succeed or Fail. Mike Baxter, Projeto de Produto: Guia Prático para o Design de Novos Produtos.

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