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10 de maio de 2016 / Nenhum comentário.

O polo têxtil de Santa Catarina é o segundo mais forte do Brasil, atrás somente de São Paulo, posição conquistada pela força dos
catarinenses desde o primeiro ciclo de industrialização do estado, no final dos anos 1800. Nesse período foi criada a Hering, uma empresa brasileira ícone da excelência das roupas fabricadas com fibras de algo-dão. Ao longo da estrada pioneira construída no Norte de Santa Catarina, seguiram-se outros empreendimentos e ciclos que levaram à consolidação do polo mais profissionalizado e estável da indústria brasileira de confecções. Muitos milhões de brasileiros e concidadãos deste vasto mundo vivem da renda direta e indireta da indústria catarinense e brasileira de confeccionados têxteis e há muito chão a percorrer nas velhas e nas novas estradas que se desvelam nos novos tempos da era digital. Um deles: até 2020 a população mundial irá consumir US$900 bilhões em vestuário e o Brasil, a continuar como está, irá exportar 1% deste valor. Esta é uma oportunidade para empresas de todo tamanho, e socialmente, a oportunidade é de grande importância, já que a barreira de entrada da fabricação de roupas é muito baixa e permite arranjos familiares e individuais e porque o mundo atual se interessa por produtos com identidade e alta variedade de itens colecionados em pequenas quantidades.

INOVAÇÃO E OPORTUNIDADE
Apesar de hoje muitos milhões de brasileiros sofrerem os danos dos seguidos desmandos e desonestidades de nossa mal formada base cidadã e de políticos, estamos bem perto daquela história do campeão de venda de sapatos que foi transferido para um país de enorme população descalça. Constatada a imensidão de descalços, o personagem reclamou do “presente de grego” recebido com a transferência de sua zona de sucesso e conforto para um país de descalçado. Frente aos nossos números, não podemos ser pessimistas como aquele vendedor. Devemos abraçar a oportunidade e nos abrir para as oportunidades brasileiras e internacionais, aproveitar e trabalhar como nunca trabalhamos no Brasil: como profissionais criativos, eficientes, colaborativos e simbióticos. No mundo da era digital e do pós-industrial é muito pobre e arriscado trabalhar fora deste eixo.
Para inovar, não precisamos fazer nada diferente do que já se pratica no mundo que está dando certo: hoje o mundo clama por criativos, é colaborativo e interativo. É difícil obter e manter ganhos com trabalho solitário e fora da simbiose de inteligência e negócios. No mais é só seguir a corrente global aproveitando a gigantesca energia da era digital e pós-industrial: no mercado, raramente se acerta estando ao contrário da correnteza, principalmente quando se trata de aproveitar força das grandes ondas que de tempos em tempos alteram a sociedade humana.

A ERA DIGITAL E OPORTUNIDADES
Vivemos um momento único na história do homem, sabemos todos. A época das grandes indústrias manufatureiras passou e vem sendo substituída por empresas tecnológicas. Sistemas digitais antenados em satélites despejam e capturam quantidades inomináveis de dados em todo o planeta. A competição da era digital é fomentada pela distribuição “gratuita” do antigo tesouro da civilização, a informação. Nunca havíamos experimentado tal prática, tal formação e modelo de captação e distribuição de dados. Em tempo real, bilhões de fontes descarregam e captam de volta dados em volumes de dilúvio na população do globo. Além da massa gigantesca dessa torrente descomunal que despenca dos céus a cada milisegundo do dia e da noite, cada bit pode ser apontado para alvos individuais, conforme o interesse do emissor dos sinais. A precisão de acerto do alvo é de micro gotas e o volume é de dilúvio eterno. Nunca houve um sistema de tal poder nas mãos do homem e as relações foram alteradas para sempre. O trabalho mudou e vai continuar mudando. O tempo tomou outra dimensão e é suicídio trabalhar em calendários e agendas fora do tempo curto. Tudo tende a ser operado em tempo real e tudo é para agora e nada pode esperar, muito menos o desenvolvimento de um produto tradicional pode consumir meses de trabalho. O comportamento das pessoas nunca mais voltará ao que era. A informação, que até o advento das tecnologias digitais era a força do poder, está nas mãos de cada ser humano comum. Basta que estejamos conectados na rede da velha ou da nova Internet das Coisas e seremos automaticamente interativos e essa condição não depende mais do lugar onde estamos, das dificuldades e facilidades de um país ou de quanto dinheiro temos. Podemos trabalhar em qualquer lugar do mundo, estando em qualquer parte. A baixo preço, as portas foram abertas para a conexão das pessoas do mundo inteiro.
Alterações de grandes proporções continuam se instalando pela aproximação de pessoas que receberam canais livres de voz, imagem e texto e no hiper gigante caudal de influências. Nunca mais o modelo de comércio que conhecíamos voltará a ser o que era. Consumidores estão em ocaso e no lugar deles nascem compradores com poder de opinião julgadora e afeitos à comparação de si mesmos com outros e dos valores que lhe são ofertados. É de conhecimento óbvio que isso não depende mais do nosso querer. Basta estarmos conectados e uma simples consulta à nuvem registra o interesse específico por curiosidades, preferências, necessidades e dando continuidade ao fluxo dinâmico, enxames de produtores de bens correlacionados com o sinal retornam ofertas ao terminal emissor que pode ser eu, você ou qualquer pessoa que tenha deixado um rastro na forma de endereço. Nossas caixas de correio eletrônico estão fartas.
Tecnologias da nossa era colocam lado a lado enchentes de produtos novos, usados, baratos e caros, exclusivos ou massivos, para vender, alugar, dar, emprestar e no processo geral há pouca originalidade, mas há a grande marca da colaboração de um ser que continua humanamente sensível ao carinho, ao valor da tradição. Produtos e pessoas da grande massa se parecem cada dia mais uns com outros, e no entanto, ninguém quer ser igual a ninguém. Todos querem ter identidade própria. Todos se comparam e querem ser melhores e mais bonitos, mais interessantes. Ninguém que tenha experimentado a força das antenas digitais quer ficar fora do mundo virtual. Soldadas pela conectividade, roupas, cabelos, corpos se aproximam de uma imagem idealizada universalmente e no entanto, todos querem ter identidade própria. São paradoxos desta era.

A ERA DIGITAL E DA LINGUAGEM VISUAL
A imagem tornou-se idioma do século XXI, das pessoas, dos produtos e do futuro. Este ser, agora mais imagético é um ente complexo: conectado na internet comum e na IOT – Internet das Coisas – fala, expõe e sinaliza por meio de imagens os seus objetos de desejo, necessidades, intimidades. A grande massa se expõe, compara e julga. Enquanto compara, não cria. O ato não criativo composto pela tríade expor, comparar e julgar, leva o indivíduo a escolher conforme padrões modeladores de grandes e pequenos fluxos de dados e é nesse filtro que somos identificados e a nossa personalidade é perfilada. Na era dos conectados nos expomos para existirmos com nossa cara e personalidade. Não importam os riscos e as consequências, queremos interagir e ser encontrados com nossa cara e feitos notáveis. Queremos divulgar nosso saber e expertise, as nossas espertezas e nossos dotes particulares sintetizados em imagem e texto curto. Agora eu sou coletivo, sou produto e sou produtor da era do empreendedorismo digital e do pós-industrial e mesmo que eu não queira participar das intromissões mundanas e de saber das coisas alheias e espiar intimidades, eu não desligo as minhas antenas porque gosto de ser um terminal-emissor-alvo da Internet. Daqui a pouco a IOT terminará a construção de minha casa da felicidade com perto de 20 mil terminais eletrônicos instalados para me servir. A Internet das Coisas estará no meu carro e na minha cidade e no mundo inteiro. Terei enfim, acesso ao universo digital da Família Jetson. Hoje são 6,4 bilhões de máquinas conectadas. Em 2020, apenas daqui a 4 anos, haverá no mundo pelo menos 30 bilhões de computadores ligados entre si e dirigidos para a colheita e distribuição de mais informações sobre as pessoas, resolvendo necessidades, oferecendo o que as pessoas não tem e mais do que elas já tem. Minha fidelidade estará sendo checada em tempo real, dia e noite e mesmo que eu não queira, viverei em um mundo de pouco trabalho comum e simples. Será de minha escolha ser um trabalhador criativo, ou mais um ocioso sinalizado por Domenico de Masi e tantos outros. Posso, se desatento, deixar liquefazer as minhas relações e o amor humano como me foi avisado pelo senhor Zygmunt Bauman. Nas sombras da Grande Rede, mal dissimulado, está o Grande Irmão com as ferramentas aprontadas pelo vaticínio do 1984 de George Orwel e eu me rendi a ele por vontade própria.

A SOCIEDADE CRIATIVA DELPHOS
O processo de comunicação ampla da era digital e pós-industrial mudou a natureza do trabalho. As carências da alma podem ter sido ampliadas. A natureza dessas questões torna excitam as pessoas criativas, designers e pessoas com alma de artista. Estes são os designadores das tecnologias humanizadas da nova era. A hora é dos criativos e a Sociedade Criativa Delphos propõe a troca da competição pela criação. O volume de iniciativas e empreendimentos comuns postos na rede é descomunal e competir com esse volume é um caminho estéril e seco que não leva a nenhuma evolução do que já foi feito. Quanto mais cedo reconhecermos que o caminho para o trabalho na era digital passa pela criação consorciada com colaboração e simbiose, mais benefícios poderemos incorporar em nossas vidas. Tudo da era digital está aberto para a interatividade criativa e é natural que comunidades colaborativas se propaguem pelo mundo. Sociedades criativas e colaborativas são lugares de encontro, de divulgação de ideias e projetos de negócios, de aproximação de pessoas por valores, missão, objetivos, intenções, planos de vida e de felicidade. A proposta base da Sociedade Criativa Delphos é colocar a criatividade no centro da estratégia dos empreendimentos e o espírito colaborativo no coração dos negócios.
Como designers criativos queremos gerar os conteúdos que não devem ser gerados em uma fábrica convencional e anterior ao século XXI. Sem ajuizar, fábricas são movidas por sistemas de moldes padronizados e operações que já ultrapassaram a fase de pensar, conceituar e gestar o produto. Queremos nos ocupar do que não cabe dentro dessas fábricas – o design criativo. Queremos ser uma resposta humanizada ao mundo competitivo de hoje. A Sociedade Criativa Delphos é um plano de trabalho para a era digital e pós-industrial do século XXI e não estamos sós em nossa visão de que hoje é necessário pensar e agir diferente. Nesta época complexa as relações sociais e de trabalho são movidas pela informação pública, por sistemas de inteligência artificial e por produção inteligente. O planeta está sendo sufocado por nós e chegamos à urgência extrema de parar com nossas práticas irresponsáveis de produzir agredindo. Como designers sentimos que chegamos a um momento crítico de nossas ligações com as indústrias, com o planeta e com todos os seus seres. Sob nosso ponto de vista a nova Indústria deve ser estabelecida sobre uma estrutura que defina quantidades e planos de venda conforme a lógica do consumo responsável. Para cumprir este preceito a indústria deve investir na conscientização do consumo responsável e ser coerente com ele. Se sobra tanto hoje é porque o que foi produzido não era necessário ou a utilidade e valor estavam errados. Para resolver o seu maior custo que é não vender, a fábrica deve se comprometer também para a redução dos excessos. Não estamos sentindo isso isoladamente ou romanticamente – a fase final de remodelagem de comportamento social coincide com o último estágio da globalização que é a veiculação de dados e bens da informação em fluxo pleno e universal. Junto com a movimentação consolidam-se a consciência e as responsabilidades ambiental e social. A grande consciência está se dirigindo para o conjunto bio-psíquico-físico-social e espiritual, uma dimensão muito maior, intuitiva e mais distante dos instintos do ser humano antigo.
As mudanças do trabalho da era digital e pós-industrial oferecem oportunidades significativas para designers e mentes criativas e mais e mais oportunidades de trabalho totalmente novas, como também da tradição vão se suceder. O aumento de interesse por bens culturais, com identidade e criativos é crescente. Museus e instituições culturais são beneficiários naturais dessas oportunidades. Indústrias podem oferecer bens de maior permanência, atemporais e de fundo cultural. É um tempo excitante para todos que desfrutam do pensamento criativo original e para todos aqueles que, através da educação ou esforço próprio, se dispõe a viver e trabalhar criativamente.
Com a Sociedade Criativa Delphos não queremos plantar uma grande floresta. Queremos aproveitar as oportunidades pela reunião de um grupo finito de profissionais de áreas criativas e com este grupo queremos fazer crescer uma única árvore que dê os frutos das diferentes atividades de criação ali reunidas. Assim não será necessário buscar em uma floresta intrincada e repetitiva o trabalho e o produto criativo. Nosso plano é poderoso porque reúne profissionais de várias áreas nessa única árvore – a Sociedade Criativa Delphos.

O tripé Responsabilidade Social, Econômica e Ambiental é base de sustentação das respostas que podemos oferecer:

• Pesquisas, briefings, desenvolvimentos podem ser formados e atendidos com mais velocidade e acerto;
• Desenvolvimento de produtos em tempo reduzido, com variedade, distinção visual e de valores;
• Trabalho compartilhado com menor custo e melhor competitividade para o produto final;
• Preservação do ambiente consolidada em produtos originalmente desenvolvidos para não sujar e não sobrar;
• Programas de redesenho, reciclagem e reuso para gerar renda e melhores condições de vida e ambientais;
• Projetos culturais e sociais para gerar renda familiar e individual, promover a descoberta de excelências do artesanato brasileiro e regional;
• Integração de produtos com valor cultural, originalidade e identidade em programas de exportação de pequenas quantidades reunidas em coleções de múltiplos autores;
• Integração e conciliação da identidade humana com produtos da revolução tecnológica;
• Arte é atemporal e queremos nos ocupar dela porque nos seus desejos originais o homem segue identificado com valores permanentes e com a necessidade íntima de manter a identidade profunda ligada a valores de família, crença e expressão sensível. As artes são repositórios desses anseios.
MISSÃO, VISÃO, VALORES
1- MISSÃO: Criar um espaço físico e virtual para realização de trabalho criativo e interativo, orientado e sustentado por trabalho no estado-da-arte, por alto conhecimento e tecnologias limpas e identidade brasileira.
2- VISÃO: Estabelecer relações de trabalho criativo e rentável equilibrado em Responsabilidade Social, Econômica e Ambiental.
3- VALORES: Interagir coletivamente tendo a Ética como centro das relações individuais.

OBJETIVOS
1. Identificar, selecionar e integrar o talento de parceiros criativos para operarem em um sistema colaborativo e simbiótico.
2. Constituir negócios nacionais e internacionais conectando planejadores, desenvolvedores, produtores, instituições e empresas aptas a desenvolver produtos criativos e limpos.
3. Gerar lucro ético e justo.
ÁREAS DE ATUAÇÃO
1- Educação pela Imagem;
2- Artes Visuais e Desenho de Superfície;
3- Bens Culturais, Artesanato e Artes Populares;
4- Mercado de Produtos de Valor e com Identidade;
5- Inteligência de Mercado focada na Interface Produto e Comprador;
6- Design de Produto – Moda, Arquitetura e Decoração;
7- Psicologia Cognitiva Comportamental e Gestalt;
8- Coaching e Mentoring de RH de Grupos Criativos;
9- Tecnologias Novas e Tradicionais aplicadas ao Desenho de Superfície;
10- Engenharia Ambiental e de Produtos.
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Delfos, dedicado ao Deus Apolo, foi o oráculo mais importante da Grécia Clássica. Delphos era um lugar onde as pessoas iam para resolver problemas e pedir aos deuses esclarecimento sobre futuro. Além de ser lugar sagrado Delfos era um difusor importante de cultura e de modelos políticos.
ArtZone e Orbitato desde que existem mantém a missão original de levar Arte e Criatividade para dentro da indústria. A Sociedade Criativa Delphos unirá ArtZone e Orbitato em um projeto de educação pela arte e de design criativo.

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